BLOG DO LAU | A Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Ele é investigado por suspeita de liderar um esquema que envolveria intimidação de adversários, tentativa de obstrução de investigações e articulação com um suposto grupo armado.
Até o momento, votaram pela manutenção da prisão os ministros André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e deve ser concluído nos próximos dias, restando apenas o voto de Gilmar Mendes. Já o ministro Dias Toffoli, que integra a Segunda Turma, declarou-se suspeito e não participará da decisão.

Role, Da BBC News Brasil em Brasília e São Paulo
Investigação aponta milícia privada
Vorcaro foi preso pela segunda vez no dia 4 de março, após decisão de Mendonça baseada em investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, o empresário teria organizado um grupo que funcionaria como uma espécie de milícia privada, responsável por intimidar pessoas consideradas ameaças aos interesses do esquema.
Durante operações de busca e apreensão, a Polícia Federal encontrou armas com dois suspeitos apontados como integrantes do grupo: o ex-policial Marilson Roseno e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Mourão morreu na prisão logo após ser detido.
De acordo com as investigações, os integrantes se comunicavam por meio de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”. Para o relator do caso, os elementos reunidos indicam a existência de uma organização criminosa estruturada.
Mendonça citou no voto trechos do relatório policial que classificam os envolvidos como “profissionais do crime”, apontando que o grupo atuaria de forma coordenada para intimidar adversários, influenciar a opinião pública e interferir nas investigações relacionadas ao banco.
Segundo a Polícia Federal, enquanto o braço armado da organização não for completamente neutralizado, o andamento das apurações pode ficar comprometido.
Possível delação e vazamento de mensagens
Nos bastidores políticos em Brasília, cresce a especulação de que a manutenção da prisão possa levar Vorcaro a negociar um acordo de delação premiada. A defesa do empresário, no entanto, afirma que não há intenção de colaborar com as investigações.
Após a segunda prisão, conteúdos do celular apreendido com Vorcaro foram vazados para a imprensa. As conversas divulgadas sugerem suposta proximidade do banqueiro com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes e o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro.
No caso de Moraes, a polêmica começou ainda no ano passado, quando reportagens apontaram que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, teria mantido um contrato milionário.



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