Na madrugada desta terça-feira, 28 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro amanheceu sob intenso fogo cruzado com a deflagração de uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade. A ação, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público, e tinha como objetivo cumprir mais de 250 mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, facção que domina parte da região.
Desde as primeiras horas, o cenário foi de guerra. Moradores relataram explosões, rajadas de fuzil e barricadas erguidas em várias ruas, algumas feitas com ônibus e carros incendiados. Segundo informações da Polícia Civil, criminosos usaram drones equipados com explosivos e tentaram impedir o avanço das forças de segurança, que reagiram com força total. A Linha Amarela e outras vias expressas próximas foram interditadas, e o transporte público foi suspenso por questões de segurança.
O balanço oficial aponta 64 mortos, entre eles dois policiais civis e dois agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE). Além das mortes, mais de 80 suspeitos foram presos, e 75 fuzis, pistolas, granadas e grande quantidade de drogas foram apreendidos. De acordo com o governo estadual, trata-se da operação mais letal da história do Rio de Janeiro, superando ações anteriores em comunidades como Jacarezinho e Vila Cruzeiro.
As consequências da operação se estenderam por toda a cidade. Escolas e universidades próximas às áreas de conflito suspenderam as aulas, e diversos serviços públicos foram paralisados. Moradores relatam medo e desespero com o som dos confrontos, que se estenderam por mais de 12 horas. Em nota, o Governo do Estado afirmou que a ação é parte de uma estratégia para desarticular o núcleo financeiro e logístico do tráfico de armas e drogas na capital fluminense.
Autoridades destacam que a ofensiva visa enfraquecer o poder das facções que controlam rotas estratégicas de transporte e pontos de venda de entorpecentes. Entretanto, organizações de direitos humanos cobram investigação rigorosa sobre as circunstâncias das mortes, apontando possível desproporção no uso da força. O Ministério Público e a Defensoria Pública acompanham o caso.
Com o Complexo do Alemão ainda sob forte presença policial e ruas tomadas por blindados, o Rio vive mais um capítulo da longa e dolorosa guerra urbana entre o Estado e o crime organizado.
Créditos:
Reportagem de Douglas Corrêa (Agência Brasil), Manuela de Moura (Metrópoles) e equipe do JR no Ar (R7). Fontes: agenciabrasil.ebc.com.br, metropoles.com, noticias.r7.com.


Leave feedback about this
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.