24 de maio de 2026
Lauro de Freitas, Bahia, Brasil
Blog do Lau

Nossa história não nasceu ontem

Em 1977, quando entrei na Universidade Federal da Paraíba, confesso que tomei um susto. Eram muitos filhos de ricos, fui colega do filho do Teotônio Vilela, usineiro alagoano. Dividi os bancos da universidade com os sobrinhos, filhos e demais parentes de tantos cabras ricos dos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, que perdi a conta.

Todos estes alunos milionários tiveram acesso à educação de qualidade desde o ensino primário e enorme vantagem nos exames de vestibular da época. Descobri desde jovem que o ensino superior no Brasil era uma exclusividade das classes abastadas dos país. Salvo, as exceções.

Nos meus primeiros dias de aula, senti-me órfão de companheiros da minha classe social. Perguntei-me: aonde estão os meus colegas do Ginásio e do Técnico Agrícola? Precisava mudar esta realidade. Agir!

A minha geração desde muito cedo se engajou em mudar esta realidade. O ensino superior não deve ser privilégio da classe alta.

Confesso que uma revolução educacional –como qualquer outra – não nasce da noite para o dia. Nós nos organizamos através de movimentos estudantis, fomos acolhidos por professores visionários que sonhavam com uma educação pública universal e já em 1980 fomos para os espaços de disputas institucionais, fundando o Partido dos Trabalhadores. Um partido que desde a sua concepção abarcava muitos sonhos da classe trabalhadora. Sendo que a educação, sempre foi um dos nossos pilares.

“Os sonhos não envelhecem”

Muitos dos jovens que lutaram comigo nas mais variadas trincheiras tiveram a felicidade de ver o PT chegar ao Governo Federal e, de imediato, colocar os sonhos em prática.

Foram criadas 18 universidades federais, lançamos o PROUNI, que no seu início, é bom rememorar, sofreu duras críticas, mas depois foi consagrado pela sua capacidade de inclusão e formou milhares de estudantes das classes menos favorecidas deste país.

Enfrentamos o tabu das cotas, para fazermos justiça histórica ao abandono educacional de outras naturezas de governos passados que só tinham olhos para a elite do país.

Criamos o Ciências sem Fronteiras e o país viu um investimento em pesquisa que não existe precedência na educação brasileira. Tudo isso sem perder de vista a educação básica, os ensinos fundamentais, médio e técnico.

Foi o suficiente? Não. Porque a nossa revolução educacional ainda está em curso. Estabelecemos um ponto de partida com uma longa travessia. Não se resolve um problema crônico de 500 anos em uma década.

No decorrer da nossa expedição por uma educação universal e igualitária fomos e estamos sendo atacados por piratas mercantilistas do poder. Eles querem exterminar não apenas a nossa sonhada educação, mas todos os anseios da classe trabalhadora.

No Nordeste, especialmente na Bahia, criamos uma forte proteção às conquistas sociais do PT, que na verdade é um patrimônio do povo e que jamais devemos permitir retrocessos. No entanto, vejo que os piratas de sempre querem desestabilizar o Governo da Bahia e tentam jogar a opinião pública contra o companheiro Rui.

O mesmo jovem militante que lutou por um Brasil justo e hoje na posição de governador luta por uma Bahia do tamanho que ela merece.

Uma simples frase do governador em relação ao acesso de estudantes da CLASSE RICA (leia-se, gente milionária) foi motivo de manipulação para tentar dizer que Rui é contra as universidades públicas e o ensino universal igualitário. Sendo que este tipo de tema sempre é debatido com a sociedade e tratado de forma responsável e democrática, como é tradição do PT e os seus líderes sobre qualquer pauta importante para o povo.

No presente momento, os aproveitadores abordam o tema de maneira viciada. Tentam transparecer e provocar uma amnésia coletiva, como se num passe de mágica tivessem o poder de fazer desaparecer toda a história de luta do PT pelo bem do Brasil e da Bahia.

Levianamente, subtraem-se os méritos das gestões dos governos Jaques Wagner e Rui Costa, que têm um legado de serviços prestados na Bahia e aprovações inéditas neste Estado.

A lógica e o bom senso nos dizem que não estamos certos e somos senhores (as) da razão diante de todos os temas. Erramos, sim. Somos humanos. Não caímos na ideia falsa e perigosa da construção de mitos. Buscamos acertar o tempo todo, mas só quem se coloca diante de grandes desafios comete equívocos.

A justa defesa que faço de Rui não é somente no âmbito público. Falo do companheiro que tenho e conheço há décadas. Sei do seu caráter, as suas boas intenções e ações que transformam a vida da nossa gente. Não esqueço nem por um segundo da nossa luta diária em tornar este país um lugar melhor para todos.

Acredito que as críticas construtivas somam na construção e no debate de uma educação pública de excelência.

Quando se trata de universidade, a amplidão que este tema alcança é interminável.

Devemos considerar e respeitar a diversidade de opinião. Principalmente respeitar cada indivíduo pela sua trajetória, seja estudantil, acadêmica ou política.

Que a fala de cada um esteja representada pela sua biografia. Não em frases recortadas para vender capas de jornais e alimentar o deserto de ideias de certos oposicionistas.

Também tenho ciência que críticas injustas crescem à medida em que um líder se agiganta, algumas vezes, infelizmente, até no seio da própria esquerda – ainda que por parte de uma minoria.

A partir do momento que a Bahia virou uma referência para o Brasil os piratas vão querer atacar o nosso porto seguro. A direita nunca aceitou o que construímos juntos! Aqui é Bahia, resistiremos.

Nós contamos com o apoio do povo. Porque nascemos da classe trabalhadora e somos parte deste cordão umbilical coletivo.

Vamos seguir unidos, dialogando, construindo. Focando nos acertos -que são maioria – e dispostos a encontrar o caminho para os erros.

Sabemos que os nossos sonhos serão combatidos.

Só que a nossa capacidade de lutarmos e seguirmos fortes é infinitamente maior do que qualquer discurso pronto, feito para oxidar as sementes dos sonhos coletivos.

Venceremos!

Josias Gomes – Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Se concorda, compartilhe!

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